WordPress e manutenção

Cópia de segurança do site: se ele desaparecer hoje, consegues repô-lo?

Cópia de segurança do site é aquela coisa que toda a gente acha que tem até ao dia em que precisa dela. O site vai abaixo depois de uma atualização, é atacado, ou o alojamento perde os ficheiros, e só aí descobres que a cópia não existe, está incompleta ou fica no mesmo servidor que acabou de falhar. Aqui tens, explicado para quem não é técnico, o que é um backup a sério: o que leva, onde fica, com que frequência se faz, quem o testa e porque a cópia do alojamento, sozinha, não chega.
Cópia de segurança do site: consultor SEO em Lisboa num escritório a acompanhar a reposição de um site no portátil, com um disco externo ao lado
Neste artigo
  1. Se o site desaparecer hoje, consegues repô-lo?
  2. O que tem de estar dentro de uma cópia de segurança do site
  3. Porque a cópia do alojamento não chega
  4. Com que frequência fazer o backup e quanto guardar
  5. A cópia que nunca foi testada não é uma cópia
  6. O que tem isto a ver com o Google
  7. Quem é responsável pela cópia de segurança do site?
  8. Checklist: a tua cópia de segurança está a sério?
  9. Quanto custa fazer isto bem
  10. Conclusão: a melhor altura para tratar disto é antes de precisares

Se o site desaparecer hoje, consegues repô-lo?

Faz o teste agora, sem olhar para nenhum painel: se o teu site deixasse de existir esta tarde, sabes onde está a última cópia, de quando é e quem a consegue repor? A maioria dos donos de negócio a quem faço esta pergunta responde com um “acho que o alojamento trata disso”. Às vezes trata. Muitas vezes não trata da forma que imaginas.

Quando trabalho como consultor SEO em Portugal, a primeira coisa que confirmo num site novo não é a velocidade nem as palavras-chave. É se existe uma forma de voltar atrás. Não faz sentido investir meses a subir no Google num site que pode desaparecer numa noite sem rede de segurança.

E se o teu negócio tem morada e clientes da zona, o problema não fica pelo site. O teu Perfil de Empresa no Google aponta para ele, e todo o esforço para aparecer no Google Maps passa a mandar pessoas para uma página em branco ou com erro. Quem procura “perto de mim” não espera: carrega no concorrente seguinte.

O que é, afinal, uma cópia de segurança

Uma cópia de segurança, ou backup, é uma fotografia completa do teu site num determinado momento, guardada noutro sítio, que permite pô-lo exatamente como estava. Pensa nas chaves suplentes de casa: só servem se abrirem a porta certa e se não estiverem penduradas do lado de dentro.

Aqui estão as três ideias que vais ver ao longo do artigo:

  • Completa: leva tudo o que é preciso para o site voltar a funcionar, não só uma parte.
  • Fora do sítio: está guardada longe do servidor onde o site vive.
  • Testada: alguém já experimentou repô-la e confirmou que funciona.

Se falhar uma destas três, tens uma cópia que te dá tranquilidade, mas não te salva no dia mau.

O que tem de estar dentro de uma cópia de segurança do site

Um site, sobretudo em WordPress, é feito de duas partes que vivem separadas. Os ficheiros são o programa do site, o tema, os plugins e tudo o que carregaste: fotografias, PDF de menus, tabelas de preços. A base de dados é uma espécie de arquivo organizado onde ficam os textos das páginas, os artigos, as encomendas, os contactos dos formulários e as definições.

A documentação oficial do WordPress tem um guia sobre cópias de segurança do WordPress que descreve precisamente estas duas partes. Uma cópia de segurança do site só com uma delas é como guardar as paredes de uma casa sem os móveis, ou os móveis sem as paredes.

O que guardarO que é, em linguagem simplesO que acontece se faltar
Base de dadosO arquivo com textos, páginas, encomendas e definiçõesO site abre vazio ou não abre: perdes todo o conteúdo escrito
Ficheiros carregadosFotografias, PDF, vídeos e documentos que puseste no siteAs páginas aparecem com imagens partidas e documentos em falta
Tema e pluginsO aspeto do site e as funções extra (formulários, reservas, loja)O site perde o desenho e as funcionalidades, mesmo com os textos lá
Ficheiros de configuraçãoAs instruções que ligam o site à base de dados e definem regrasA reposição falha ou o site fica com erros difíceis de diagnosticar
Lista de acessos e definiçõesDomínio, alojamento, email, DNS e contas do Google, anotados à parteTens a cópia, mas não consegues pô-la no ar nem apontar o domínio

A última linha é a que quase ninguém guarda. O DNS é o sistema que diz à internet onde está o teu site e para onde vai o teu email, uma espécie de lista telefónica. Se tiveres de mudar de alojamento à pressa e não souberes estas definições, a cópia fica parada numa pasta. Se ainda não tens os acessos todos em teu nome, começa por recuperar o acesso ao site antes de pensares em cópias.

Porque a cópia do alojamento não chega

Quase todos os alojamentos anunciam “backups incluídos”. É uma ajuda, mas tem limites que raramente aparecem na página do plano:

  • Fica no mesmo sítio. Muitas vezes a cópia está no mesmo servidor ou no mesmo centro de dados. Se esse servidor falhar, vão os dois.
  • Guarda poucos dias. Há planos que mantêm só os últimos três a sete dias. Se o site foi atacado há duas semanas sem dares por isso, todas as cópias disponíveis já estão infetadas.
  • Não é tua. A cópia pertence à conta do alojamento. Se a conta for suspensa por falta de pagamento, ou estiver em nome de quem fez o site, perdes o acesso às cópias.
  • Reposição a pedido. Algumas empresas só repõem através do suporte, com tempo de espera e, por vezes, com custo por cada reposição.
  • Sem garantia. Os termos de serviço costumam dizer que as cópias são uma cortesia e que a responsabilidade é do cliente.

Já escrevi sobre quando o alojamento barato sai caro, e as cópias são um dos pontos onde a poupança se paga mais tarde. Não quer dizer que tenhas de trocar de alojamento. Quer dizer que precisas de uma segunda camada que dependa só de ti.

A regra 3-2-1, explicada como as chaves de casa

Quem trabalha com dados usa uma regra simples: 3 cópias, em 2 sítios diferentes, 1 delas fora de casa. Traduzido para um pequeno negócio:

  • A cópia do alojamento (a que já tens).
  • Uma cópia automática enviada para um serviço de armazenamento na nuvem, numa conta em nome da empresa.
  • Uma cópia mensal descarregada para um disco ou pasta que controlas.

É como teres a chave contigo, outra com um familiar e outra num cofre. Se perderes uma, há sempre outra que abre a porta.

Com que frequência fazer o backup e quanto guardar

A pergunta certa não é “de quanto em quanto tempo”, é “quanto trabalho aceito perder”. Se a última cópia é de domingo e o site cai na sexta, tudo o que mudou nesses cinco dias desaparece: artigos, encomendas, pedidos de orçamento.

Tipo de siteFrequência recomendadaQuanto tempo guardar
Site institucional que quase não mudaSemanal, mais uma cópia antes de cada alteraçãoPelo menos 3 meses de histórico
Site com blogue ou formulários de pedidosDiária30 dias de cópias diárias e algumas mensais
Loja online ou reservas diretasBase de dados várias vezes por dia; ficheiros diariamente30 a 90 dias, com cópias mensais guardadas à parte
Qualquer site, antes de atualizarCópia manual imediatamente antesAté confirmares que a atualização correu bem

Guardar histórico longo importa por uma razão menos óbvia: há ataques que ficam escondidos semanas. Se só tens as cópias da última semana, podes estar a repor o problema. No artigo sobre o que fazer quando o site é pirateado explico porque uma cópia anterior ao ataque é quase sempre o caminho mais rápido.

A cópia que nunca foi testada não é uma cópia

Este é o ponto que separa um backup a sério de uma sensação de segurança. Vejo com frequência o mesmo cenário: a cópia existe, corre todas as noites, envia um email a dizer “concluído com sucesso”. No dia em que é preciso usá-la, falta a base de dados, ou o ficheiro está corrompido, ou ninguém sabe a palavra-passe da conta onde está guardada.

A solução é simples e faz-se numa manhã, duas vezes por ano:

  1. Escolher a cópia

    10 minutos. Pega na cópia mais recente guardada fora do alojamento, não na do próprio servidor.

  2. Repor num ambiente de teste

    30 a 60 minutos. Repõe a cópia num endereço de teste ou numa cópia de ensaio, nunca por cima do site verdadeiro.

  3. Verificar o essencial

    20 minutos. Abre páginas ao acaso, confirma imagens, envia um formulário de teste, entra na área de administração.

  4. Registar e corrigir

    10 minutos. Anota a data, o que funcionou e o que falhou. Se algo falhou, corrige a configuração da cópia nesse dia.

Se não és tu quem gere o site, não precisas de fazer isto sozinho. Pede a quem o gere que faça o teste e te mostre o resultado. É um pedido razoável e a resposta diz-te muito sobre a seriedade do serviço.

O que tem isto a ver com o Google

Pode parecer que cópias de segurança são um assunto técnico sem ligação ao SEO. É o contrário. O Google visita o teu site regularmente e, se encontrar erros de servidor durante vários dias, começa a visitá-lo menos e pode acabar por retirar páginas dos resultados. A própria documentação do Google explica que o rastreio abranda quando o servidor responde com erros.

Na prática, a diferença está no tempo de reposição:

  • Site reposto em horas: o Google mal dá por isso e as posições mantêm-se.
  • Site em baixo durante dias: as visitas do Google caem, algumas páginas saem dos resultados e a recuperação pode levar semanas.
  • Site perdido sem cópia: tens de o refazer do zero, com endereços diferentes, e perdes parte da autoridade que levaste anos a construir.

É por isso que, no trabalho de SEO que faço com empresas lisboetas, as cópias entram na conversa logo no início. Há ainda o lado da confiança: um cliente que encontra o site em baixo no dia em que te queria contactar raramente volta a tentar.

Quem é responsável pela cópia de segurança do site?

Esta é a pergunta que mais evita sustos. Se o site foi feito por uma agência ou por um freelancer, combina por escrito quem faz as cópias, onde ficam e quem as testa. Se o contrato acabar, as cópias têm de continuar contigo. As perguntas a fazer são poucas:

  • Onde ficam guardadas as cópias e em nome de quem está essa conta?
  • Com que frequência são feitas e durante quanto tempo ficam guardadas?
  • Quando foi a última vez que alguém testou uma reposição?
  • Quanto tempo demora a repor o site se ele cair amanhã?
  • Se deixarmos de trabalhar juntos, como recebo as cópias?

Se as respostas forem vagas, tens trabalho a fazer. Um plano de manutenção WordPress sério responde a todas sem hesitar.

Checklist: a tua cópia de segurança está a sério?

Percorre esta lista com calma. Cada ponto que não consegues confirmar é um risco que hoje está a correr sem dares por isso.

  • A cópia inclui ficheiros e base de dados, não só uma das partes.
  • Há pelo menos uma cópia fora do alojamento, numa conta em nome da empresa.
  • A frequência acompanha o ritmo do site: diária se tens pedidos ou encomendas.
  • Guardas histórico suficiente para voltar a antes de um problema escondido.
  • Fazes uma cópia manual antes de cada atualização grande ou mudança de tema.
  • A reposição foi testada nos últimos seis meses e o resultado ficou anotado.
  • Os acessos e as definições de domínio, DNS e email estão guardados à parte.
  • Sabes quem repõe o site e em quanto tempo, com o compromisso por escrito.

Quanto custa fazer isto bem

Menos do que imaginas, e muito menos do que refazer um site. Os valores abaixo são intervalos de referência para pequenas empresas, não preços fechados:

  • Armazenamento extra na nuvem para as cópias: de poucos euros a cerca de 10 euros por mês, consoante o tamanho do site.
  • Ferramenta de cópias automáticas: existem opções gratuitas e versões pagas, tipicamente entre 50 e 150 euros por ano.
  • Manutenção com cópias, atualizações e testes de reposição: tipicamente entre 30 e 100 euros por mês.
  • Refazer um site perdido: facilmente centenas ou milhares de euros, sem contar as semanas sem pedidos.

A conta é fácil. O backup é um custo pequeno e previsível; a falta dele é um custo grande e sempre na pior altura.

Conclusão: a melhor altura para tratar disto é antes de precisares

Uma cópia de segurança do site a sério cabe numa frase: está completa, está guardada fora do alojamento, é feita com a frequência certa e alguém já provou que funciona. Se hoje não consegues confirmar estes quatro pontos, não é motivo para pânico. É motivo para tratares disto esta semana, com calma, antes que um problema escolha a data por ti.

Queres saber se o teu site está protegido e preparado para crescer no Google? Vê como é o acompanhamento que faço a negócios de Lisboa ou marca uma conversa: olhamos juntos para as cópias, os acessos e o que está a travar as tuas posições.

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Perguntas frequentes

O alojamento já faz cópias de segurança. Preciso de mais alguma?

Precisas. A cópia do alojamento costuma ficar no mesmo servidor ou na mesma empresa, guarda poucos dias e muitas vezes só é reposta a pedido, às vezes com custo. Se o problema for do próprio alojamento, ou se a conta for suspensa, perdes o site e a cópia ao mesmo tempo. O ideal é teres pelo menos uma cópia extra guardada fora do alojamento, numa conta em nome da tua empresa.

Com que frequência devo fazer uma cópia de segurança do site?

Depende de quanto o site muda. Um site institucional que quase não muda pode ficar bem com uma cópia semanal. Um site com blogue ativo ou formulários de pedidos deve ter cópias diárias. Uma loja online com encomendas todos os dias precisa de cópias da base de dados várias vezes por dia. E faz sempre uma cópia manual antes de qualquer atualização grande.

O que tem de estar dentro de um backup de um site WordPress?

Duas partes: os ficheiros (WordPress, tema, plugins e, sobretudo, as imagens e documentos que carregaste) e a base de dados, onde vivem os textos, as páginas, as encomendas e as definições. Uma cópia só com uma das partes não chega para repor o site. Guarda também, à parte, uma lista dos acessos e das definições de domínio e email.

Como sei se a minha cópia de segurança funciona?

Só há uma forma: repô-la num ambiente de teste e ver se o site abre completo, com imagens, páginas e formulários a funcionar. Uma cópia que nunca foi testada é uma esperança, não uma garantia. Faz este teste pelo menos duas vezes por ano, ou pede a quem gere o site que te mostre o resultado.

Perder o site afeta as posições no Google?

Afeta, se o problema durar. Umas horas em baixo raramente têm consequências, mas vários dias a mostrar erros levam o Google a visitar menos o site e, no limite, a retirar páginas dos resultados. Repor depressa a partir de uma boa cópia é a diferença entre um susto e semanas a recuperar posições.

Quanto custa ter cópias de segurança a sério?

Pode custar pouco. Guardar cópias fora do alojamento fica muitas vezes entre poucos euros e cerca de 10 euros por mês, consoante o tamanho do site. Quando as cópias fazem parte de um plano de manutenção, que inclui atualizações, segurança e testes de reposição, os valores de referência andam tipicamente entre 30 e 100 euros por mês para pequenas empresas.

Ricardo Morais, consultor SEO e criador de sites profissionais, em Lisboa
Quem é

Quem é o Ricardo Morais

Sou consultor SEO e crio sites profissionais em Lisboa, com clientes em todo o país. Trabalho diretamente contigo — sem agências pelo meio, sem relatórios que ninguém lê. O objetivo é simples: que o teu negócio apareça no Google quando alguém procura o que fazes.

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